segunda-feira, 7 de junho de 2010

Investimento chinês

Capital busca investimento chinês para a Copa de 2014
Foco é atender aos setores de infraestrutura, turismo e tecnologia

Comitiva e convidados se reuniram em frente ao pavilhão de Porto Alegre. Foto: Flávio Dutra/PMPA/Divulgação/JC A Copa do Mundo de 2014 será um dos instrumentos utilizados pela prefeitura de Porto Alegre para atrair investimentos de empresas chinesas. O prefeito José Fortunati acredita que os asiáticos, em um primeiro momento, poderão se interessar pelo projeto de revitalização do Cais Mauá, que absorverá um montante de cerca de R$ 500 milhões.

As oportunidades geradas com o torneio esportivo foram algumas das últimas impressões que a comitiva gaúcha liderada por Fortunati deixou na Expo Xangai 2010. O grupo embarcou domingo para Porto Alegre, com previsão de chegada para hoje à noite. A Expo se estenderá até 31 de outubro e, entre os dias 16 e 30 de junho, será celebrada a quinzena de Porto Alegre no evento.

O representante da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) que acompanhou a comitiva, Ricardo Felizzola, aponta outra medida que deve contribuir para tornar a Copa um grande chamariz para investidores. Ele revela que a Fiergs formará um grupo de trabalho para avaliar as possibilidades que a realização do evento gerará para os empreendedores gaúchos.

Fortunati vê potencialidades em áreas como as de infraestrutura, turismo e tecnologia. Em breve, uma missão da Procempa - empresa municipal de processamento de dados - deverá ir à China para realizar trocas de experiências. Quanto ao turismo, Fortunati observa que as chinesas têm o costume de manter a pele alva e não ficar expostas ao sol. Então, argumenta o prefeito, o Rio Grande do Sul, com um clima mais ameno, pode ser um destino preferido por elas no Brasil, em relação às praias de outros estados. Quanto à infraestrutura, Fortunati aponta a implementação do metrô em Porto Alegre como algo que possa interessar aos chineses.

O sábado foi o dia da Capital gaúcha na Expo Xangai. Na ocasião, o prefeito concedeu entrevista coletiva para mais de 40 jornalistas chineses. Entre outros temas, foram abordados a reforma do estádio Beira-Rio para receber jogos da Copa e o funcionamento do Orçamento Participativo.

O presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Nelcir Tessaro (PTB), também destacou o crescimento econômico da China atualmente. O vereador salientou que a Capital gaúcha pode apreender com a experiência asiática, retribuindo com a divulgação de práticas como a Governança Solidária Local, que realiza ações com participação da iniciativa pública, privada e sociedade.

Além da troca de experiências em gestão pública, existe a tendência de os gaúchos entrarem cada vez mais no mercado chinês. Guilherme Adam Borba, diretor da Transervice Hong Kong, que atua como uma consultoria, informa que a empresa pretende instalar um showroom na China. “Às vezes, o exportador não consegue entrar neste mercado por falta de informações ou oportunidades”, diz Borba.

A meta é trabalhar, principalmente, com produtos gaúchos como vinhos e artigos do segmento coureiro-calçadista. O cônsul-geral do Brasil em Xangai, Marcos Caramuru, confirma o potencial do mercado dos dois países. Ele prevê que a China será a maior economia do mundo entre 2025 a 2030, enquanto o Brasil deverá estar colocado entre a quarta ou quinta posição no mesmo período.

Cidade está de olho no avanço que pode ganhar com uso de tecnologia
A solução de problemas comuns nas grandes cidades, como transporte público e segurança, passa pelo emprego da tecnologia. Com esse conceito em mente, durante a viagem à China, o prefeito José Fortunati conversou com executivos da IBM sobre a possibilidade de Porto Alegre preparar-se para a Copa do Mundo de 2014 com novas tecnologias.

A tratativa resultará na realização de um workshop em que participarão profissionais da IBM para analisar essa iniciativa. Essa reunião deverá ocorrer na Fiergs. O prefeito de Porto Alegre espera que a ação possa ser concretizada ainda neste ano. O assunto não interessa apenas aos gaúchos. O líder do projeto de expansão geográfica da IBM, Antonio Carlos Canova, destaca que estudos apontam que em cinco anos cerca de 70% da população mundial vai estar concentrada nas grandes cidades. Essa situação, argumenta, agravará problemas como desperdício, poluição, entre outros. “Por isso, soluções tecnológicas podem amenizar esses reflexos”, sustenta.

O executivo defende que as cidades precisam ser vistas como “organismos vivos”. Para o dirigente, a tecnologia pode ser aplicada para favorecer áreas como saúde, segurança e trânsito. Canova cita como exemplo Estocolmo, na Suécia, que adotou uma solução através de sensores distribuídos na cidade, que permite ao cidadão monitorar no computador da sua casa as condições de tráfego. “Isso possibilita que o indivíduo tenha informações para optar pelo melhor tipo de deslocamento”, diz Canova
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