quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Business ‘N’ Business


Julio Mottin Neto
é diretor vice-superintendente do Grupo Dimed/Panvel. Com 37 anos, é graduado em Economia pela Pucrs e em 2008 concluiu o General Management Program na Harvard Business School. Iniciou na Panvel como supervisor de marketing, passando pelos cargos de gerente e diretor de marketing e indústria. Palestrante em encontros de marketing como da ADVB/RS e em universidades, durante a 7ª Bienal do Mercosul atuou como diretor de marketing da mostra.

Paulo Michel Roehe,
graduado em Medicina Veterinária pela Ufrgs, é mestre em Microbiologia pela Universidade de Londres e PhD em Virologia pela Universidade de Surrey. Preside a Sociedade Brasileira de Virologia. Atua há 32 anos como pesquisador da Fepagro Saúde Animal - Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF) e há 19 anos como professor do Icbs/Ufrgs. Em 2007 recebeu o Prêmio Destaque Fapergs - Copesul na área de Ciências Agrárias, do governo gaúcho, e em 2008, o Prêmio Desidério Finamor.

Christiano da Silveira de Barcellos
é graduado em Medicina pela Universidade de Passo Fundo, com residência em Cirurgia Cardiovascular pelo Instituto de Cardiologia. Possui mestrado em Ciências Médicas pela Ufrgs/UPF e título de especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e pela Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, tendo também pós-graduação na área. Atuou como cirurgião cardiovascular no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo.

Elaine Deboni
é formada em Administração de Empresas com especialização em Imagem, pelo Instituto Marangoni de Londres. Dedicou-se durante 25 anos ao mercado de luxo no Interior em Erechim e Passo Fundo e atualmente é diretora do Shopping do Porto, o Camelódromo de Porto Alegre.

Fabrício Geyer Ehlers
é administrador e está no comando do Alto da Capela, espaço para eventos localizado no bairro Belém Velho, em Porto Alegre. Ehlers acumula vivência nas áreas comercial e de marketing e já desenvolveu projetos para os governos do Canadá, dos Estados Unidos, da Espanha e da África do Sul.

Caroline Vieira Ruschel,
é integrante da equipe da Freitas Macedo & Dalcin Advogados Associados. É advogada, professora de Direito Ambiental da Pucrs, mestre em Direito pela Ufsc e graduada em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pucrs com Aperfeiçoamento em Ciências Jurídicas e Sociais na Eberhard Karls Universität Tübingen, na Alemanha.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Boa genética vende bem


GUATAMBU/DIVULGAÇÃO/JC
GUATAMBU/DIVULGAÇÃO/JC" rel="lightbox">Um bonito touro braford por R$ 22.500,00
Um bonito touro braford por R$ 22.500,00

Os leilões de gado da primavera venderam bem, mas nem todos os produtores estão satisfeitos com os preços obtidos pelos animais. Poderiam ter sido maiores, disse-me José Paulo Dornelles Cairoli, da Reconquista Agricultura e Pecuária, em Alegrete. Já o criador de gado hereford e braford Adroaldo Pötter, ainda comemora, em sua Estância do Caty, em Livramento, os bons resultados que obteve no 38º Remate Guatambu, Alvorada, Caty, em Dom Pedrito, no mês passado. Ele considera fantástico o resultado obtido pelos animais de sua criação: média de R$ 9.750,00 em 26 touros braford e de R$ 6.912,50 em 12 touros polled hereford, uma tourada rústica, criada no basalto dos campos do Caty, dentro do bioma pampa preservado. Adroldo também obteve os dois maiores valores do remate, com os touros braford Caty H23, vendido por R$ 22.500,00, e Caty H 385, por R$ 13.500,00, ambos para o criador Cícero Augusto Pujol Correa, de Quarai. “Foi, sem dúvida, um bom retorno pelo nosso trabalho de desenvolvimento genético”, disse Pötter.

ICMS devido

O governo do estado do Rio Grande do Sul prorrogou novamente o parcelamento de débitos “Ajustar/RS”, agora até 31 de dezembro. Dívidas de ICMS vencidas até dezembro de 2009 podem ser pagas com 60% de desconto nos valores relativos a juros e correção monetária e parcelamento em até 120 meses, explica Christian Stroeher, do escritório SP&CB Negócios Jurídicos. Além disso, para pagamentos à vista, há um desconto de até 50% sobre o valor da multa que vai diminuindo conforme o número de parcelas que o contribuinte utilizar para regularizar o débito.

Brasil na China

Agora o Brasil tem um lugar exclusivo como porta de entrada para produtos na China. Os gaúchos Tânia Caleffi e Antônio João Freire criaram um espaço permanente em Xangai para mostrar empresas brasileiras aos empresários chineses, o Brazilian Gate. Enquanto os produtos ficam em exposição, eles se encarregaram de procurar parceiros para as empresas, distribuidores, canais de vendas, investidores. Contatos: begin_of_the_skype_highlighting 51-3251-4767 end_of_the_skype_highlighting ou caleffi@shanghai-trends.com.
51-3251-4767

Mão de obra

A indústria da construção civil está sofrendo forte concorrência de outros setores sobre sua mão de obra especializada. Grandes empresas que começaram a atuar em Rio Grande, Pelotas e Candiota, principalmente, estão oferecendo salários maiores e levando os trabalhadores da construção civil de outras regiões. Um construtor informou que agentes destas grandes empresas chegam nas obras e perguntam aos trabalhadores quanto ganham e oferecem o dobro. Ele presenciou uma cena em que o agente soube que o pedreiro ganhava R$ 800,00 por mês e ofereceu, em Candiota, R$ 1.500,00, mais moradia. Quem também está sendo beneficiada é a mão de obra feminina. “Antes, se via duas ou três mulheres trabalhando numa obra da construção civil; hoje, há obra inteiras tocadas pelas mulheres”, comentou o construtor.

Para ouvir

A Rede de Clínicas Direito de Ouvir, uma das maiores do País em aparelhos auditivos, abriu consultório em Caxias do Sul. Fica na rua Pinheiro Machado, 1811, sala 32. Ed Gemini I – Centro.

Natura

A empresa de cosméticos lançou a colônia Natura Homem Íon, para atender ao crescente interesse dos homens por perfumes. Combina ingredientes cítricos, como a bergamota, com cedro, muguet, rosa, lavanda, orris, âmbar, sândalo, musk, tonka e baunilha.

Incentivo

Allevo Genetics e Química Limpa Soluções Ambienteis, empresas incubadas na Raiar da Pucrs, foram aprovadas no Programa Inova Pequena Empresa RS, do Sebrae, e receberão entre R$ 100 mil e R$ 350 mil para pesquisa. Ao todo, o Sebrae irá disponibilizar R$ 16 milhões em recursos não reembolsáveis para os projetos de inovação tecnológica selecionados.

Sustentável

O Walmart vai dobrar as compras de pequenos e médios agricultores do Brasil até 2015. O Clube dos Produtores, como é conhecido o programa no País, também irá ampliar o número de famílias atendidas: de 7 mil para 10 mil famílias, ampliando a renda dos agricultores em cerca de 10% no período e reduzindo em 20% as perdas de alimentos nas lojas.

Gato por lebre

Não é novidade que muito consumidor é enganado na hora de fazer certas compras, principalmente de produtos ditos importados. O professor pelotense Bira Ribas fez um interessante levantamento que ajuda a descobrir quando se está comprando gato por lebre. Ele levantou os números iniciais dos códigos de barras dos países que são os principais fornecedores de produtos ao Brasil. Pelos primeiros números, é possível identificar a procedência do produto. Azeite de oliva italiano, por exemplo, deve ter código de barras iniciado por 80-83; se for português, 560; se espanhol, 84. Batata frita é americana mesmo se o código de barras começar por 00-13. Se o início dos códigos for 690, 691 e 692, a origem é da China. Se for do Brasil, é 789.

Chivas

A Sacramento Master Design, dos sócios Márcia Fernanda Sampaio e Gustavo Guedes, foi escolhida pelo Whisky Chivas 12 anos para criar a identidade visual do Chivas Chivalry Club, evento que iniciará o novo momento da marca. O trabalho foi feito em parceria com a paulista Zambon.Inc.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Japão e Brasil discutem oportunidades de negócios

Marcelo Beledeli

FREDY VIEIRA/JC
Yoneda diz que o Japão busca mercados
Yoneda diz que o Japão busca mercados

A comitiva da província japonesa de Shiga que está percorrendo o Rio Grande do Sul participou ontem, no Centro de Exposições da Fiergs, de um seminário sobre o comércio entre Brasil e Japão. No encontro, o vice-governador de Shiga, Koichiro Yoneda, apresentou as oportunidades de negócios que os gaúchos podem obter na província, que é irmã do Rio Grande do Sul há 30 anos.

O mediador do encontro, embaixador Jorge Carlos Ribeiro, provocou o vice-governador ao lembrar que, com a estagnação do mercado interno e a valorização do yene, as empresas japonesas estão buscando investir em países em desenvolvimento, o que poderia incluir o Brasil e, em especial, o Rio Grande do Sul. Yoneda confirmou que os empresários de Shiga estão a procura de novos mercados, e que o Brasil poderia ser beneficiado por esse movimento, uma vez que está com sua visibilidade em alta devido ao grande crescimento econômico apresentado nos últimos anos. O vice-governador também destacou que a província possui em seu território muitas grandes indústrias internacionais, como Panasonic, Bridgestone, Omrom e Toray, outro atrativo para negócios.

As possibilidades de comércio com o Japão também foram destacadas por Rei Oiwa, diretor no Brasil da Japan External Trade Organization (Jetro), entidade similar à Apex brasileira. Segundo ele, o mercado japonês é uma porta de entrada para muitos países asiáticos, uma vez que o Japão possui diversos acordos de livre comércio na região. "Muitos empresários coreanos e chineses avaliam o sucesso de um produto em nosso país antes de buscar importá-lo," afirmou.

Atualmente, de acordo com Oiwa, o Japão está o interessado em conquistar novos mercados devido à estagnação econômica em que vive. Entre 2004 e 2009, as vendas no varejo caíram 8,74%. No entanto, o diretor da Jetro acredita que há espaço para produtos brasileiros. "Suco de açaí, churrascarias e chinelos Havaianas, por exemplo, conquistaram os consumidores locais", destacou. Oiwa também lembra que é preciso entender a cultura local antes de investir, citando o exemplo do fracasso da rede Carrefour em se instalar no Japão. "Eles não entenderam que o japonês não costuma fazer compras mensais", exemplificou.

De acordo com o diretor da Jetro, os produtos que o Japão mais adquire no exterior são combustíveis, equipamentos elétricos, máquinas, alimentos e produtos químicos. No entanto, Oiwa destacou que há outros setores cujo potencial para negócios estão crescendo. "Os segmentos de autopeças, tecnologia de informação e computação, biotecnologia, serviços médicos e meio ambiente estão cada vez mais atrativos", disse.

Em 2009, o Brasil foi 26º destino de exportações japonesas, com US$ 4,236 bilhões. No mesmo período, os japoneses importaram US$ 6.368 bilhões em produtos do Japão. O Rio Grande do Sul está em 21º lugar no ranking das exportações brasileiras para o Japão, e em 23º lugar no das importações, com participação de 4,93% e 1,45%, respectivamente. Os principais produtos gaúchos vendidos ao Japão são alimentos, madeira, calçados e produtos químicos.





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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Opinião Econômica - Meta de inflação


Um célebre princípio de precaução nos informa que "todos os modelos são errados, mas são úteis". A macroeconomia é habitada por um grande número deles, que envolve relações de comportamento e equações até uma simplificação heroica com três equações, usada para fins didáticos por quase todos os Bancos Centrais.

Uma equação comum a esses modelos relaciona a atual taxa de inflação à expectativa inflacionária, à diferença entre o PIB atual e o PIB potencial e a eventuais choques de oferta, como uma frustração de safra causada por El Niño.

Durante algum tempo, nos anos 60, cultivou-se a ideia de que se poderia explorá-la para trocar PIB (ou emprego) por taxa de inflação, mas a esperança foi rapidamente destruída com a descoberta do efeito da "expectativa" na determinação da inflação corrente.

Com a crise de 2007, as dúvidas sobre como se formam tais expectativas cresceram. Desde o início do século 21, a expectativa da inflação dos EUA permaneceu praticamente constante (2%), a despeito das enormes flutuações do emprego e do PIB, a ponto de hoje acreditar-se que os EUA só não estão sofrendo uma recessão devido à firmeza dessa expectativa.

Em outras palavras, esta não seria criada apenas pela "credibilidade" de um BC autônomo, mas teria alguma característica estrutural. Tanto que agora o Fed tenta, sem sucesso, criar uma expectativa inflacionária maior do que 2% para mitigar a saída da crise.

Toda sociedade economicamente aberta e com boa governança parece ter um número (historicamente condicionado) que determina a menor taxa de inflação com a qual pode conviver e estabelecer a necessária flexibilidade dos mercados (inclusive a regulação do mercado de trabalho) capaz de levá-la ao uso eficiente da sua capacidade produtiva.

Certamente ela depende da qualidade das instituições e, portanto, a sua redução para um nível adequado deve ser objeto da política econômica de longo prazo.

Vamos, entretanto, "combinar" uma coisa. Não há modelo teórico (nem haverá!) que estabeleça tal mínimo, e não há a menor evidência empírica de que revele qualquer relação (linear ou não linear) entre a taxa de crescimento do PIB no longo prazo e taxas de inflação menores do que 7% ou 8% ao ano.

Há claras evidências (e o Fed é testemunha) de que metas inflacionárias menores que 2% podem apresentar problemas para o ajuste do mercado de trabalho e para a eficácia da política monetária.

No curto prazo - e enquanto não fizermos a lição de casa na política fiscal -, a meta de inflação de 4,5% ao ano parece perfeitamente adequada à nossa situação.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lucro da Randon salta 147,4%

Lucro da Randon salta 147,4% no trimestre, para R$ 66,7 milhões

O grupo Randon, fabricante de implementos rodoviários e autopeças, ampliou seu lucro líquido em 147,4% no terceiro trimestre, para R$ 66,769 milhões. A receita líquida consolidada cresceu 65,5% no período, para R$ 984,184 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização foi de R$ 146,740 milhões, uma alta de 114,3%.

No segmento de veículos e implementos, a produção de reboques cresceu 59,3%, para 6.495 unidades. Foram produzidos ainda 238 veículos especiais, alta de 81,7% frente ao mesmo trimestre do ano passado, e 219 vagões ferroviários, 508,3% a mais do que há um ano.

No segmento de autopeças, os destaques ficaram com a fabricação de sistemas de acoplamento, que cresceram 74,0%, para 28.472 peças; de freios, com 208.442 peças, um aumento de 31,9%; e sistemas de suspensão, com 120.670 unidades, um aumento de 70,3%.

A Randon atribuiu o bom desempenho à isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para caminhões, ônibus e veículos rebocados até dezembro de 2010, e também às linhas de financiamento Finame PSi e Procaminhoneiro para veículos comerciais oferecidas pelo BNDES.

A companhia lembrou ainda, em seu comentário de desempenho, que iniciou a produção dos 1.150 vagões para a MRC, para entrega até junho de 2011. A empresa espera produzir 350 unidades ainda este ano.

A Randon contabilizou ainda receita de R$ 13,301 milhões com serviços de seu braço financeiro, o banco Randon, inaugurado em setembro.

As exportações da Randon somaram US$ 66,5 milhões no trimestre, um aumento de 49,0% sobre o terceiro trimestre de 2009 (US$ 44,6 milhões).

A dívida líquida consolidada somava R$ 202,0 milhões no final de setembro, equivalente a um múltiplo de 0,41 vez o EBITDA acumulado dos últimos 12 meses. No mesmo período de 2009, a dívida era de R$ 173,3 milhões, ou 0,53 vez o EBITDA.

Os investimentos somaram R$ 51,6 milhões no trimestre, quase o triplo dos R$ 18,9 milhões aplicados no mesmo período do ano passado.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

CRÉDITO DE CONFIANÇA

O eleitorado brasileiro foi obrigado por força de lei a votar nas eleições deste ano e conscientemente ou não escolheu a sua presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais. O grupo assume no início do próximo ano o comando do país e vai se juntar aos prefeitos e vereadores que estão no meio do mandato. Ainda que o voto seja obrigatório e quase 30% do eleitorado não agiu de forma afirmativa, como os ausentes, brancos e nulos, quantitativamente a democracia brasileira deu demonstração de ser uma das maiores do mundo. A melhoria qualitativa do processo só se dará com o tempo e muito trabalho de educação e cultura política. Certo ou errado, bons ou maus, picaretas ou éticos, assertivos ou sangue sugas, ausentes ou presentes, vinculado ao interesse público ou privado, sinceros ou mentirosos, vagabundos ou trabalhadores, chupins ou inventivos, indolentes e sagazes, palhaços ou donos de funerária, latifundiários ou posseiros, capitalistas ou proletários, civis ou militares, religiosos ou leigos, todos são legítimos representantes da sociedade brasileira. Foram escolhidos livremente nas urnas, mostrados no horário eleitoral obrigatório e que não é gratuito, fotos retocadas com botox, sorrisos de implantes, cabelos parcialmente pintados para manter o grisalho, sobrancelhas e bigodes bem tingidos. A população selecionou com os seus critérios e estes são válidos, democráticos e respeitáveis.

Não se pode esperar no parlamento nada mais do que uma plêiade de representantes com a cara do povo que o escolheu. Afinal as pessoas querem que os que as representam sejam muito parecidas com elas. Assim não há o que lamentar, nem julgar a democracia brasileira como pior que outras no mundo porque alguns tipos exóticos foram eleitos e alguns ladrões contumazes continuam fazendo parte da elite dirigente do pais. Todos tiveram a mesma oportunidade de escolher e de votar sem qualquer pressão nas urnas eletrônicas da Justiça Eleitoral, que, no primeiro turno, até mesmo admitiu o uso da cola. Quem não cola… Há uma variedade imensa de partidos, na próxima legislatura vão ser 22, o que possibilitou a escolha entre os mais diversos programas de governo e disparidade ideológica. Ninguém pode reclamar da variedade de candidatos, plataformas, programas, ideologias, biografias, frases de efeito e tantas outras ferramentas para conquistar o voto do cidadão/eleitor/contribuinte. É verdade que o plantel ainda pode ser ligeiramente modificado na medida que os carimbados de ficha suja sejam julgados pelo Supremo Tribunal.

Concluído o processo só resta ao cidadão dar um voto de confiança aos eleitos. Ninguém pode ser julgado apressadamente antes de um período de pelo menos um ano, tempo necessário para que mostrem a que vieram. O ser humano tem uma capacidade imensa de agir, mudar, modificar sua atuação. Assim o grupo de políticos escolhidos tem a legitimidade popular para trabalhar e ajudar a construir uma sociedade mais pacífica, justa, equilibrada e igualitária. Durante o período de lua de mel o cidadão deve já acompanhar o que fazem os políticos, segui-los no noticiário e formar sua própria opinião sobre eles. Passado o tempo do crédito de confiança usar todo o conhecimento que obteve no período e sair fiscalizando e cobrando de forma cidadã a autoridade eleita. A expectativa da sociedade brasileira é de crescer com segurança, emprego distribuição de renda e liberdade de expressão e isso tudo o conjunto escolhido na última eleição tem condições de prover, uma vez que depende apenas de sua conduta ética balizada no interesse público. Por isso é também democrático acreditar que as pessoas mudam e podem se comprometer com o bem estar de todos, e merecem um crédito de confiança. Ainda assim a melhor prática desse período carinhosamente chamado de lua de mel, é o de orar e vigiar.


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Federal Reserve e o desconhecido


Como era esperado, o Federal Reserve americano decidiu aumentar o estímulo monetário via compra adicional de US$ 600 bilhões de títulos federais em circulação.

Chamado de QE2, “quantitative easing 2”, ele representa, na prática, uma clássica emissão de moeda que deve levar o valor do balanço do banco central americano para a incrível cifra de US$ 2,6 trilhões.

Para entender essa decisão do Fed - e ao mesmo tempo os receios de um grupo mais conservador de analistas econômicos -, é preciso ter em conta que estamos em um campo da economia muito pouco explorado na academia. Afinal, uma recessão como a que estamos vivendo há mais de dois anos no mundo desenvolvido tem acontecido muito raramente.

Talvez apenas a que ocorreu na década de 1930 do século passado tenha as mesmas características da crise atual. Mas nesses 80 anos o entendimento teórico de momentos como esse evoluiu muito pouco. São ainda as ideias e sugestões de Keynes que compõem o arcabouço teórico com que contam os governantes para reanimar a economia.

O presidente atual do Fed, Ben Bernanke, é um dos economistas que mais contribuíram para moldar um plano de ação para enfrentar recessões profundas como a de hoje. Mas mesmo ele dá claros sinais de estar agindo mais por intuição do que por firmeza conceitual.

Afinal, os juros de curto prazo estão praticamente a zero e os de médio e longo prazos não superam os 2,5% ao ano. Qual o efeito prático de aumentar ainda mais a liquidez se os bancos não se sentem com coragem de aumentar seus empréstimos a consumidores e a pequenas e médias empresas?

Alguns vão responder a essa questão dizendo que o objetivo maior do Fed é inundar a economia mundial com dólares e provocar uma corrida para outras moedas, forçando, na prática, a desvalorização da moeda americana.

Por que um dólar mais fraco ajuda no combate à recessão? Porque os últimos meses trouxeram uma recuperação no consumo do americano médio, que é responsável por mais de dois terços do PIB nos EUA.

Mas a recuperação do consumo acabou vazando para o exterior via importações, deixando as empresas americanas sem o apoio necessário para voltar a empregar. Em agosto, o volume das importações americanas sem o petróleo voltou ao nível de antes da crise. É uma realidade terrível para um país que está com quase 10% de desemprego e fazendo um tremendo esforço fiscal para tentar recuperar o poder de compra dos cidadãos.

Para a maioria dos americanos, o grande vilão dessa situação é a China, que não permite a valorização do yuan.

Outro canal importante que pode ser afetado por mais uma rodada de expansão monetária é o da expectativa de consumidores e empresários, via alta dos preços das ações em Wall Street. Existe uma correlação positiva clara entre essas duas variáveis, como mostram séries estatísticas conhecidas.

Aliás, é o que vem acontecendo nas últimas semanas, quando os mercados se convenceram de que o Fed iria caminhar para o QE2. Mas os benefícios dessa nova rodada de estímulo monetário podem ocasionar efeitos contrários importantes se parte dos analistas e gestores financeiros se assustar com uma possível volta da inflação no curto prazo.

Para esses, a inflação é um fenômeno essencialmente monetário e o excesso de liquidez que existe hoje - e que vai aumentar de forma importante nos próximos meses por ação do Fed - vai desembocar em um período de aumento de preços.

Não rezo pela cartilha desses analistas, mas estou preocupado com a inflação em 2011 em partes do mundo mais aquecidas.

O excesso de liquidez que vivemos hoje está provocando uma pressão altista sobre os preços das commodities, tanto pelo canal das compras especulativas quanto pela demanda real das economias de mercado que voltaram a crescer.

Nesse quadro, se a economia norte-americana voltar a respirar por conta do QE2, a inflação pode realmente assustar.