terça-feira, 2 de novembro de 2010

LINHAS TORTAS

A democracia brasileira é jovem comparada com a fundação do país e da república. Talvez por isso seja necessária a intervenção do poder judiciário apesar de alguns protestarem ao dizer que há uma judicialização da política, uma intervenção de um poder em outro, quando a constituição garante que eles são autônomos e independentes. O ideal seria que a seleção dos representantes nos parlamentos fosse feita pelo cidadão/eleitor que, em última análise, é o senhor do seu voto e portanto de sua vontade, logo o legítimo portador do direito de determinar quem deve e quem não deve representá-lo. A ausência de políticas públicas de formação política, a manipulação de grandes grupos econômicos, a posse dos veículos de comunicação de massa por parte da elite, e um emaranhado de leis que perpetuam os que detém o poder, contribuem para que não se tenha uma visão crítica e com isso se faça uma depuração necessária nos parlamentos. Algumas assembléias legislativas e câmaras municipais inexistem, seus ocupantes usam e abusam das mordomias e das barganhas com o poder executivo, transformando-as em verdadeiros balcões de negócio.

O projeto de lei de origem popular está previsto na constituição brasileira. É um instrumento importante na ausência de outros mecanismos de democracia direta como plebiscitos e referendos muito pouco utilizados. Seria bom para a construção da democracia brasileira que um novo projeto popular fosse aprovado a cada dois anos, antes das eleições com o intuito de aprimorar o processo. Isto abre oportunidades interessantes de mudanças que estão engavetadas em Brasília porque não atendem aos detentores do poder de plantão. O que impede de se iniciar imediatamente o recolhimento de assinaturas para um novo projeto de origem popular para a adoção do voto distrital misto ou puro nas eleições municipais de 2012? Os movimentos sociais que desenvolveram a Lei da Ficha Limpa mostraram que é possível mobilizar, divulgar, pressionar e aprovar mudanças que modernizam as estruturas políticas e estabelecem critérios éticos e morais. Um avanço com ou sem a participação da justiça.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Para China, guerra cambial está piorando

O Ministério do Comércio da China afirmou nesta segunda-feira (1) que o yuan está enfrentando grandes pressões de apreciação e que o comércio exterior será afetado, visto que os países ao redor do mundo tentam desvalorizar suas moedas para estimular as exportações. "Uma vez que a persistente depreciação do dólar já levou Japão, Coreia do Sul, Tailândia e outros países a intervir no mercado cambial, a guerra cambial está piorando", disse o Ministério do Comércio, em um comunicado publicado em sua página na internet.

Alguns países vêm intervindo no mercado de câmbio, numa tentativa de desacelerar a valorização de suas moedas em relação ao dólar. Essa situação é comparada por muitos observadores como uma "guerra cambial". De acordo com o comunicado, o dólar deverá provavelmente continuar a recuar no médio prazo, o que "afetará certamente o desenvolvimento do comércio internacional".

O crescimento do comércio exterior da China deverá desacelerar em 2011, depois de crescer 25% em 2010, destacou o ministério. Os fatores que estão pressionando o comércio exterior incluem o aumento dos custos da mão de obra e de outras pressões de preços domésticas na China. Além disso, a recuperação econômica mundial tem claramente desacelerado. Outro fator citado é o crescimento do protecionismo comercial
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domingo, 31 de outubro de 2010

Hillary propõe encontro entre EUA, China e Japão

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, fez um apelo para que a China reduza as tensões na fronteira marítima no Leste da Ásia e também afirmou que os EUA desejam ver a solução pacífica para a disputa da soberania das ilhas no Mar do Leste da China, em curso entre China e Japão. Para isso, ela propôs um encontro tripartite entre os EUA, China e Japão. As ilhas são chamadas de Diaoyu pela China e Senkaku pelo Japão.

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse que conseguiu ter uma conversa informal com seu congênere chinês Wen Jiabao antes da abertura da cúpula no Vietnã, mas acrescentou que uma reunião bilateral plena "infelizmente, não se materializou desta vez". Kan disse que os dois países manterão a calma e buscarão uma solução diplomática para seus problemas.

"É do nosso interesse que China e Japão tenham relações estáveis e pacíficas", disse Hillary. Os EUA, ela disse, "estão prontos a hospedar um encontro tripartite, onde traremos os chanceleres da China e do Japão para discutirmos uma série de questões".

"Nós deixamos bem claro que queremos que a temperatura caia nesta questão", disse um funcionário norte-americano, que esteve presente à reunião, neste sábado, de Hillary com o chanceler chinês Yang Jiechi, à margem da cúpula dos líderes do Leste asiático na capital vietnamita. Yang, afirma o funcionário, disse a Hillary que levará em conta a sugestão para um encontro tripartite, mas disse que a China não se compromete a aceitar a mediação dos Estados Unidos na disputa em curso com o Japão. Funcionários japoneses disseram que é bem-vinda a intervenção dos EUA ao propor um cúpula tripartite. Todos afirmaram, contudo, que nenhuma data foi marcada para a reunião tripartite.



sábado, 30 de outubro de 2010

Com alta de 7,6%, ouro lidera ranking de investimentos

O ouro e outras commodities estiveram no foco dos agentes agora em outubro conforme oscilavam as expectativas de quanto dinheiro o Federal Reserve (Fed), banco central americano, está disposto a injetar na economia dos Estados Unidos.

Um número deve ser dado já na primeira semana de novembro. Quanto mais dinheiro o Fed liberar melhor a perspectivas para as matérias-primas e outros ativos de risco, pois o dólar perde atratividade e obriga os investidores a buscar rendimento em outros mercados.

De volta ao ranking, a segunda melhor aposta foi o euro, que ganhou 2,43% no mês.

Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que chegou a flertar com os 72 mil pontos, perdeu fôlego e fechou o mês com valorização de 1,79%. Resultado positivo, mas um tanto tímido quando comparado com o ganho de 6,58% que registrou em setembro, quando liderou a lista de investimentos.

As opções de renda fixa aparecem em quarto lugar. O CDI apresentou variação positiva de 0,81%, e o CDB subiu 0,84%.

O dólar comercial fechou o mês com alta de 0,65%, valendo R$ 1,703. Vale lembrar que outubro foi o mês da “guerra de moedas” ao redor do mundo e que por aqui o governo alterou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos externos duas vezes e mudou normas para conter a valorização do real via restrições ao capital externo.

Encerrando a lista está a clássica caderneta de poupança, que teve avanço de 0,55% no mês.

No ano, o ouro também lidera o ranking com folga, acumulando alta de 29,03%. Confirmando que as opções mais conservadoras são as vencedoras agora em 2010, o CDB ganha 7,92% agora em 2010, e o CDI sobe 7,87%. Já a caderneta de poupança tem retorno de 5,65%.

Encerrando a lista de vencedores está a Bovespa, com tímida valorização de 3,04% nos 10 meses de 2010. Perde dinheiro no ano quem tem posição em moedas. Apesar da recuperação em outubro, o euro ainda deve 5,61% no ano, e o dólar está 2,29% mais barato

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Frases & Personagens

“Encontramos 23 casas prisionais total ou parcialmente interditadas por falta de condições de uso, como cozinhas em situação precárias, telhados ou paredes com risco de ruir e esgoto a céu aberto. Investimos na reforma de 29 presídios R$ 39 milhões.” Yeda Crusius.

“Recuperamos 850 vagas e criamos outras 3.021 que já estão em uso. Até o final do ano, mais 2.191 vagas. Para 2011, a expectativa é de que haja a criação de 5.038 vagas e, após isso, 3.672.” Também Yeda Crusius.

“O trânsito no Brasil provoca 35 mil mortes por ano. Em Porto Alegre, com uma frota de cerca de 700 mil veículos em circulação e quase 1,5 milhão de habitantes, os últimos nove anos registraram 206 mil acidentes, com 64 mil pessoas feridas e 1,4 mil mortes, segundo a EPTC.” André Carús, vereador/PMDB.

“O custo das paralisações de protesto pela reforma do sistema de previdência na França está entre 200 e 400 milhões de euros por cada dia de greve.” Christine Lagarde, ministra da Economia da França.

“Acho que a iniciativa do Copom foi extremamente cautelosa. Agora, o Ministério da Fazenda e o BC terão que tomar medidas para evitar a desvalorização do dólar ante o real, que vem causando graves problemas para as exportações de produtos nacionais.” Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo.

“A economia da China está caminhando gradualmente para um modo de indução pelo mercado, a partir do modo de indução por estímulos.” Nota da Comissão Nacional de Desenvolvimento da China.

“Respeitamos a opção por Dilma. Peço que respeitem a nossa opção por José Serra. Ficamos neutros no primeiro turno e isso não foi bom para nós.” José Fogaça, ex-prefeito.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Temporada de balanços trimestrais mobiliza os investidores

Começou a temporada de divulgação dos balanços trimestrais das empresas de capital aberto. Desde a semanapassada, algumas instituições já publicaram suas receitas com informações sobre os rendimentos no terceiro trimestre deste ano. Hoje Lojas Renner, Oi, Santander e Usiminas apresentam seus relatórios. Na primeira quinzena de novembro intensificam-se as divulgações dos desempenhos trimestrais. Segundo analistas, empresas ligadas ao varejo e à construção civil devem apresentar os resultados mais significativas, enquanto o setor de siderurgia tende a perder força.

Para o analista de mercado da corretora Solidus, Mathias Dietrich, os setores ligados ao mercado interno deverão ter bons números e indicadores. "As áreas de indústria e varejo podem apresentar bons resultados, pois o mercado está bastante favorável", afirma. Dietrich aponta que mesmo alguns setores que perderam o fôlego durante o ano podem apresentar crescimento. "Eu acredito que o setor de construção civil ainda pode subir mais em virtude do grande número de lançamentos", afirma.

Consenso entre os analistas, o setor siderúrgico deve apresentar números inferiores aos trimestres anteriores. Dietrich analisa que há problemas porque o aumento dos preços das matérias-primas que compõem o aço subiram e o câmbio favoreceu a importação do minério de ferro. O sócio-diretor do Banco Geração Futuro de Investimento, Wagner Salaverry, também acredita em uma desvalorização da esfera siderúrgica. Para ele, o câmbio pode agravar o problema do setor de aço, que está enfrentando dificuldades para exportar e sofre pressão de custos.

Para Salaverry, os bancos vão apresentar números positivos que devem ser sentidos a medida que os dados passarem ao domínio público. O executivo se diz otimista em relação aos papéis da Petrobras e crê que a empresa terá forte incremento neste trimestre. "Existe um risco, mas o potencial de crescimento é forte e nós acreditamos que o papel da Petrobras será uma boa opção de compra", avalia.

Quem comunga dessa opinião é o analista-chefe da XP Investimentos, Rossano Oltramari. De acordo com ele, a estatal petrolífera pode apresentar bons ganhos no final do ano em virtude da capitalização. Oltramari também argumenta que os segmentos atrelados às safras devem disponibilizar dados positivos e que o varejo e a construção civil somarão os maiores avanços. "As principais empresas desses setores certamente apresentarão números fortes", afirma.

Ontem a BM&FBovespa fechou um tom acima dos demais mercados externos. Lá fora, as bolsas americanas tiveram ganhos apenas modestos, enquanto as europeias fecharam em queda. Ibovespa subiu 1,67%, aos 70.740 pontos, e giro de R$ 7,032 bilhões. O dólar comercial foi cotado por R$ 1,705, em alta de 0,29%.




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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Opinião Econômica - Não dá para esperar janeiro

A cinco dias do momento em que 136 milhões de brasileiros vão escolher o novo presidente da República, estão perdidas todas as esperanças de que alguns temas absolutamente relevantes sejam debatidos na atual campanha eleitoral. O eleitor vai às urnas, infelizmente, meio às cegas sobre o caminho que os dois candidatos finalistas pretendem dar aos problemas do câmbio, da política de juros, dos gastos públicos e de desenvolvimento econômico em geral.

De todos, o problema mais aflitivo é o do câmbio. Mas, como alguns economistas costumam dizer que "mudança no câmbio não se comenta, se faz", há esperança de que o presidente a ser eleito no domingo, seja Dilma ou Serra, esteja preparado para atacar o problema a partir de segunda-feira, antes mesmo da posse, em conjunto com as atuais autoridades da área econômica.

A persistente desvalorização do dólar está longe de ser um problema exclusivo brasileiro. A moeda americana cai no mundo todo, como parte da estratégia dos EUA para recuperação de sua economia. Mas a valorização do real impõe prejuízos enormes ao Brasil. A exportação de manufaturados é a mais atingida pela perda de competitividade decorrente da queda do dólar em relação à moeda nacional. Por isso, a balança comercial dos manufaturados deve apresentar, neste ano, déficit estimado em US$ 59 bilhões.

Mantida a atual realidade cambial, esse valor pode atingir US$ 80 bilhões em 2011, com incalculáveis impactos na desindustrialização do País. Não é um valor desprezível. Representa quase um terço das reservas do país, guardadas com custos elevados, como se verá a seguir.

As reservas monetárias internacionais são um seguro importante contra crises, como ficou demonstrado em 2008 e em 2009, quando elas protegeram o país da hecatombe global. Mas o custo dessas reservas é elevado, porque para adquirir os dólares o governo precisa tomar reais emprestados no mercado interno pagando os juros mais altos do mundo, muito mais elevados do que aqueles que recebe com a aplicação das reservas no exterior.

Estima-se que o custo dessa diferença entre as duas taxas de juros deva atingir R$ 50 bilhões neste ano.
Para enfrentar essa guerra cambial, portanto, o novo presidente da República terá de instar seus subordinados a usar urgentemente uma arma que o mundo inteiro está usando: os baixos juros internos. Na semana passada, o BC manteve a taxa básica em 10,75%, um nível estratosférico considerando-se o praticado em outros países: zero a 0,25% nos EUA, zero no Japão, 2,5% na China (que aumentou a taxa em 0,25 ponto na semana passada), 5% na Índia e 7,57% na Rússia.
Note-se que em nenhum País importante, emergente ou desenvolvido, a taxa de juros sequer se aproxima da brasileira. Não é possível que o Brasil seja tão diferente a ponto de praticar taxa 1,15 vez maior que a da Índia, 3,3 vezes maior que a da China e 42 vezes superior à dos EUA.

A redução dos juros internos, portanto, é uma necessidade absoluta. Mas a guerra do câmbio não termina aí. Na semana passada, o governo elevou pela segunda vez o IOF sobre o capital estrangeiro investido em renda fixa - a decisão também atingiu operações com derivativos. A medida é correta e outras nessa direção podem ser necessárias antes mesmo da posse do novo presidente, mas já sob sua orientação.

Se isso não for feito, as contas externas caminharão, no médio prazo, para déficit perigosos. Neste ano, o déficit em conta-corrente deve ser de US$ 50 bilhões e, mantidas as condições atuais, pode chegar a US$ 70 bilhões em 2011. Nenhum drama no curto prazo. Dada a boa credibilidade do País, esses valores podem ser financiados com a entrada de capital estrangeiro para investimento e financiamento.

Nunca é demais, porém, lembrar a velha frase do economista Mario Henrique Simonsen: a inflação aleija e o câmbio mata. No domingo, saberemos se os brasileiros querem Dilma ou Serra na Presidência a partir de 1 de janeiro. Quem for eleito, portanto, terá de arregaçar as mangas para entrar desde já na administração do complexo problema do câmbio. E isso é só o começo.


Diretor-presidente da CSN, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp